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Efeito Borboleta (2004)

6 nov

“I’ll come back for you.”

Inspirado pela Teoria do Caos, Efeito Borboleta tem um tema e um roteiro forte, porém por conta de uma história difícil de trabalhar – pouca linearidade, criação de realidades alternativas e lacunas soltas na primeira metade do filme – pode-se concluir que os diretores Eric Bress e J. Mackye Gruber deram umas tropeçadas, algumas delas que se iniciam no meio do filme.
O primeiro tropeço se chama Ashton Kutcher. Ok, entendemos que foi seu primeiro trabalho sério no cinema, e da mesma forma que deu certo para atores como Jim Carey, poderia ter dado com ele. Mas, não deu. Primeiro porque a imagem do desengonçado Kelso sempre me vinha na cabeça em cenas mais descontraídas do qual Evan – o personagem que Kutcher interpreta – mascava um chiclete despretensiosamente. Segundo, porque em momento de loucura e tensão, Kutcher até se saiu bem, mas ainda fica faltando algo. Talvez pelo fato do Evan criança aos 7 e 13 (interpretado por Logan Lerman e John Patrick Amedori respectivamente) terem dado um show de bola, deixando Kutcher anos luz atrás.

A história é a seguinte: Evan possuía algo de estranho do qual os neurocientistas não explicavam mas sabia ser o mesmo “problema” de seu pai. Desde criança, em algum momento de suas ações, Evan apagava completamente, acordando “instantes” depois, sem se lembrar de nada.

Dessa forma, toda a primeira parte do filme se destina a contar os principais acontecimentos dele quando tinha 7 e 13 anos. É necessário se atentar a estes fatos pois daí pra frente, quando já aparece Kutcher em cena, toda a história se desmonta e estas cenas iniciais vão se repetindo e modificando conforme a necessidade de Evan em querer “concertar” o passado, mudando assim o futuro de algumas pessoas, como seu amigo Lenny (adulto Elden Henson), sua amiga da qual mantém apaixonado por toda a vida Kayleigh (adulta Amy Smart, que recebe destaque pelas várias facetas que representa com seu personagem) e o irmão dela problemático (ou não) Tommy (aos 13 anos interpretado por Jesse James, que é a fase que realmente merece mais destaque).

Evan anotava desde os 7 anos num diário, tudo o que ele lembrava, e através destes diários ele percebe que consegue voltar exatamente nas lacunas de memória que teve para poder corrigir algo. Desta forma, um novo Universo Paralelo é construído, mas nada estava 100% satisfatório, fazendo com que Evan repetisse este exercício durante o filme todo. Este vai e vem de realidades além de gerar um certo nó, é passível de muitas discussões a respeito do que erraram ou acertaram cientificamente falando desta idéia toda de Universos Paralelos. Alguns dizem que não faz sentido Evan voltar aos 7 e depois voltar aos 13 na mesma realidade sendo que  já modificou sua história, outros dizem que por conta dos diários, ele acaba retomando sim a mesma realidade, além do fato que antes de “pular”  de um evento para outro, ele sempre voltava para seu presente. hum… entenderam? o.O

Nerdice de lado, uma coisa (aliás várias) podemos dar destaque para o filme: as passagens que mostram os “apagões” de Evan muito bem dirigido, o fluxo da história bastante dinâmico e cenas fortes que representam e moldam o perfil obscuro de Tommy por exemplo. Destaque para a cena do cinema: nunca vi um menino de 13 anos fazendo aquilo e olhar com uma cara maligna depois para os “amigos”. Nem Gil Gomes já leu algo parecido…

Os pontos ruins também são vários. Um deles é o fato do filme não tomar forma nenhuma, perdido numa série de estilos, não só pela trilha sonora completamente inconstante, mas por mesclar romance, drama, ficção, ação tudo num filme só. O que poderia ser completo, perde a identidade. Afinal, da onde raios saiu aquele gordinho from the flames of hell que dividia o quarto com Evan?

O final, ao contrário do que andei lendo de negativo por aí, me é bastante interessante. Se faz sentido ou não, ou se dé um final morno ou não, não importa. Fato é que ele acaba transmitindo a mensagem sobre o sacríficio que Evan precisou fazer, para não ter um fim como seu pai. A pergunta que fica na realidade é: precisava deste sacrifício?

Top 10 – Mentes perturbadas que renascem do inferno

31 out

E que fique claro: renascidos do inferno. Isso, acaba excluindo da lista grandes antagonistas do cinema como Hannibal Lecter ou Jack Torrance. Os renascidos do inferno são aqueles problemáticos que algo aconteceu em sua vida e eles saem por aí matando (algumas vezes no Dia Das Bruxas), caindo em processadores de carne, sendo decapitados, porém voltando no filme seguinte, afinal, não tá fácil pra ninguem né Brasil? Tem que levantar uma graninha, mesmo que a produção destes filmes seja de 30 dólares…

Quero comunicar aqui que esse post é mais que especial, porque tem participação do Celo Silva, do Um Ano em 365 Filmes. Montamos o ranking e os textos juntos e espero que todos gostem.

Na realidade eu gostaria muito de fazer um Top 10 especial de Dia do Saci, mas não achei mais de 5 filmes a respeito. Ok… não procurei também…

Então vamos lá!

10º – Carrie White

“It has nothing to do with Satan, Mama. It’s me. Me. If I concentrate hard enough, I can move things.”

Dessa lista de Mentes Perversas que Renascem do Inferno, talvez a nossa incompreendida Carrie White seja a que mais destoa. Tendo uma mãe daquela, acabado de menstruar pela primeira vez e com os hormônios em ebulição, a menina tinha mais do que motivos para assassinar alguém. Porém, não era de toda malvadona, mas após levar um banho de sangue de porco no baile de formatura, mandou metade da população da cidadezinha onde morava para o cemitério usando seus poderes telecineticos. Foi junto, mas não se furtou em voltar. Quem nunca se cagou de medo com a mãozinha da moça saindo da cova? Acho que até hoje John Travolta se lembra muito bem, bem feito, não quis dançar com a menina. (C.S)

09º – Zé do Caixão

“O Sangue é Eterno!”

Se os americanos tem sua trupe de assassinos seriais, podemos dizer que em terras tupiniquins também temos o nosso sádico assassino, representado por Zé do Caixão e suas indefectíveis unhas. Pouco lembrado no Brasil, mas cultuado em terras ianques, a qual leva a singela alcunha de Coffin Joe, a procura de Zé é pela continuidade de seu sangue, a mulher perfeita que possa gerar um filho tão maligno quanto seu progenitor, nem que para isso ele tenha que fatiar quem apareça pela frente ou usar animais peçonhentos para tal. Uma olhadinha em A Meia Noite Levarei sua Alma deve render uma boa semana de pesadelos. (C.S.)

08º – Ghostface

“Never say “who’s there?” Don’t you watch scary movies? It’s a death wish. You might as well come out to investigate a strange noise or something.”

Ora, ora, o que temos aqui! Se não é o galã assassino que veio tardiamente, mas fez sucesso com seu “Terror Teen” já na década de 90 com Pânico. Galã, porque ele é o único assasssino que esfaqueia e olha pra câmera pra mostrar que fez bonito. É o único que não caminha calmamente até a vítima e corre que nem um destrambelhado atrás de alguém, todo descordenado com a barra do vestido enroscando no pé. Por mais fraco que seja esta figura dentro de um ranking cheio de perturbados (e mesmo que não seja um assassino fixo nos 4 filmes) não podemos tirar o mérito do personagem que criou no mercado do Halloween a fantasia mais barata que se tem na 25 de março de um assasssino de filme. (N.X)

07º – Leatherface – Thomas Hewitt

“You… you damn fool! You ruined the door!”

Produção, chama o Rogério Skylab pra explicar a diferença de uma Serra Elétrica e uma Moto-Serra??? Afinal, a distribuição brasileira coloca um nome de filme que não bate com a realidade do filme. A menos que Leatherface tivesse uma extensão 220v no bolso, não daria para usar uma Serra Elétrica por aí… Mas ok…

Presente nos seis filmes da série, Leatherface tinha uma máscara feita de pele humana e é um dos primeiros que chocou as pessoas ainda na década de 70 com um filme que apesar do baixíssimo orçamento, fez um grande “sucesso” e deu o que falar, ainda por ser baseado em fatos reais. Apesar de poucas cenas de sangue no primeiro filme, o terror psicológico e todos outros componentes de filmes assim que acabaram surgindo mais tarde, faz este assassino ser digno do ranking… (N.X.)

06º – Damien

“Look at me, Damien! It’s all for you.”

Se Zé do Caixão encontrasse o capetinha Damien, olharia para ele e diria: “Queria ter um filho assim!” E não é para menos, o moleque, filho direto do 7 peles, matou tanta gente quanto muito serial killer burro-velho em suas não sei quantas continuações. Damien é o tipo de personagem que marcou gerações com seus olhos vagos e mente diabólica. De família religiosa que sou, era terminantemente proibido citar o nome do pequeno Carcará dentro de casa, assistia na casa dos amigos e depois tinha que ficar com medo quietinho em casa para não ser repreendido. Damien teve sua quota de neurose distribuída no subconsciente coletivo e até hoje quando citado muita gente se treme toda. (C.S.)

05º – Charles Lee Ray – Chucky

“We’re friends ’til the end, remember?”

Apresentado pra gente pela primeira vez em 1988, Chucky é o boneco mais fodástico que matou mais de mil, teve esposa, filho e quem sabe daqui uns anos com a falta de criatividade do cinema, ele ganhe também um cachorro e um piriquito… Diferente de outros filmes de terror, ele tem mais um lado B que mistura um ar de comicidade no meio da chacina causando medo só para as crianças da época que até hoje armazena um trauma lá no fundo do coração.

Chucky já faz parte da trupe de assassinos que o mocinho/mocinha tenta destrui-lo, e ele volta firme e forte (com alguns remendos) pro filme seguinte. Infelizmente ou felizmente, os mais recentes filmes de Chucky que apresenta já sua família, é mais uma comédia do que terror. Não souberam dosar direito os dois componentes, mas ele garante seu sucesso pelos primórdios. (N.X.)

04º – Pinhead

“You solved the box, we came.”

Da série Hellraiser – Renascido do Inferno, esse sim é mais que digno para entrar neste top, e digo mais: não é fácil fazer um filme após sair de uma sessão de acupuntura sendo esquecido pelo médico no consultório.

Baseado no livro de Clive Barker, foram sete filmes produzidos e pode-se dizer que o roteiro é original naquilo que se cumpre fazer e explora temas que na época não era comum, como o sadomasoquismo. O surreal e o sonho como ferramenta para construção da história também estão lá com o famoso cubo Configuração do Lamento, que abre uma passagem para um reino de prazer através da dor. Pinhead é o líder dos Cenobitas, o povo que habita esse Universo alternativo. Tenso… (N.X.)

03º – Michael Myers

“You’ve fooled them, haven’t you Michael? But not me.”

Criado por John Carpenter, e presente no Slasher Halloween, mais de 8 filmes foram feitos, fazendo Michael só perder para figuras imortais como Jason ou Freddy. Michael saiu de um sanatório, é o problemático Mor do ranking e passa sua “vida” inteira perseguindo a irmã. Conhecido pela máscara branca sem expressão, com o cabelo bagunçado para cima, é através dos movimentos da cabeça que Michael consegue se expressar enquanto assassino uma vez que ele não fala. Por vezes faz termos pena dele (bom, eu tinha), dependendo da situação, até a hora que ele enfia um ferro de patins na cabeça de alguém (mau, mau menino!).

Faz parte dos assassinos que caminha devagar atrás da vítima mas que deve ter algum tipo de relógio do tempo para fazer com que alcance a vítima mesmo esta correndo a “maratona da São Silvestre” para se salvar. (N.X.)

02º – Freddy Krueger

“Come to Freddy!”

Encabeçando o segundo lugar dessa gloriosa lista, nada mais nada menos do que o Rei dos Pesadelos, o flamenguista Freddy Krueger. Se tem um sujeito que pode disputar pau a pau quem matou mais adolescentes com Jason é o nosso churrasquinho ambulante de espetos afiados. Freddy sofreu o pão que o Diabo amassou, com todo prazer diga-se de passagem, nas mãos dos moradores da Elm Street e resolveu se vingar por mais de uma década povoando os sonhos da rapaziada com muito sangue e tripas. A disputa com Jason é tão acirrada que até rendeu um crossover entre a dupla e aposto que Freddy fez muita gente relutar em dormir, não é para menos, o sujeito é praticamente intocável no mundo dos sonhos, mas mesmo assim alguém sempre arrumava um jeito de se livrar dele. Mas, teimoso que é, voltou uma infinidade de vezes. (C.S.)

01º – Jason Voorhees

“No place to hide.”

Usando uma faca de mais de 1 metro e uma máscara de hóquei, Jason herdou talvez da mãe o instinto assassino. No primeiro filme da série, é sua mãe Pâmela que toca o terror dentro de um acampamento. Mas, porque Jason em primeiro lugar? Porque inexplicavelmente ele não morre, isso em mais de 10 continuações e mais umas 6 ressurreições. Ele também sabe dominar muito bem qualquer arma que usa para matar e tem quase 2 metros de altura. Ah sim, e são mais de 140 vítimas. Ele também não corria atrás das vítimas, não falava e guardava a cabeça da sua mãe na cabana que dormia.

Agora, tente aplicar à realidade: imagina você andando a noite na rua e encontrando uma figura como ele vindo em sua direção?

fim. (N.X)

Assassinos por natureza (1994)

23 mar

“Eeny, meeny, miny, mo, catch a tiger by the toe.
If he hollers let him go, eeny, meeny, miny, mo”

Assassinos por Natureza consegue ser escarnecedor do começo ao fim. Com roteiro de Quentin Tarantino e uma direção peculiar de Oliver Stone, toda a história que tange o casal Mallory e Mickey transborda sangue de uma maneira fria, porém com forte grau de entretenimento. O trabalho de Stone é autoral, foge muito de um padrão de edição comum Holywoodiano e não deixa a desejar. Pulando de técnica em técnica, ilustrações, imperfeições da câmera como filmes antigos, preto e branco, closes repetidos em rostos maliciosos, o começo do filme pode parecer um Saturday Night Live que não te deixa piscar.

Mickey (Woody Harrelson) e Mallory (Juliette Lewis) é um casal de assassinos, que aparentemente matam pelo simples prazer de matar. Stone demonstra facilmente esta característica do casal nos segundos iniciais do filme, com Leonard Cohen tocando ao fundo e animais selvagens sendo focados, alternando do preto e branco para o colorido. Bem mais pra frente do filme, o índio que surge na história conta sobre uma senhora que salvou uma cobra e esta mordeu ela quando se recuperou. Dá completo sentido para o final do filme e acentua tudo o que já foi visto anteriormente.

Mas, pode o filme estar colocando uma carcaça de Cool sobre os assassinos? Fãs do casal (no filme) torcem por Mickey e Mallory, como se fossem heróis. E a vida de ambos são refletidas talvez como uma justificativa da atitude e comportamento dos psicopatas. De Mallory, o foco foi maior, e representa a melhor cena do filme todo: Uma sátira de programas de TV antigos, com uma família tipicamente americana soltando piadinhas também tipicamente americanas e risadas de diversão soando ao fundo. Mas, o que nos é passado na cena e nas falas dos personagens (os pais de Mallory) estão longe de ser algo a la Married With The Children. Você não ri, acha até absurdo demais quando entende a lascividade nos olhos do pai de Mallory para cima da própria filha. A risada ao fundo dos espectadores do seriado passa a ser incoerente. Este é o cúmulo do escárnio, pois claramente percebemos isso, assim como o mundo costuma rir de tanta coisa ridícula e errada por aí. Haverá alguém assistindo com repulsa enquanto nos desatamos a rir de nós mesmos? Eis a reflexão.

Voltemos a analisar o foco do filme: “Mallory e Mickey sabem a diferença entre o certo e o errado, apenas não dão a mínima para isso”. Oliver Stone não faz você endeusar dois seres como Mallory e Mickey. É muito comum ver críticas em cima de filmes assim (que podem causar a impressão de apologias de qualquer coisa errada, como é Trainspotting com as drogas). Entretanto, considerando a montagem de toda a história, e a excessiva inclusão da mídia durante o filme todo, se torna quase evidente que Oliver Stone dá um tapa na cara da própria mídia e no mundo, com essa curiosidade excessiva que todos constumam ter sobre a mente psicótica. Vide Charles Manson, muito citado no longa. É muito fácil apontarem um filme mais como uma inconsciente apologia a violência, a partir do momento que entendemos que é uma crítica social, parece mais fácil (no caso para aqueles que apontam o dedo) acreditar do contrário. Afinal, o cômodo é sempre mais prático.

Mas, Stone toma cuidado de deixar todos os elementos, e até mesmo a atuação do elenco de uma forma sarcástica, para reforçarmos a idéia de escárnio contra a imprensa. Tanto, que um dos detalhes que acreditei negativos no filme, podem ser uma das justificativas para isto: O personagem do apresentador do programa, interpretado pelo Robert Downey Jr e até mesmo Tommy Lee Jones, parecem ser caricatos demais, ainda mais com suas histerias winehóusticas quando as coisas saem dos eixos. Chegamos a nos sentir como se estivéssemos assistindo aquelas aventurinhas bobas da televisão.

Outro ponto que dá uma ruptura incômoda no filme, é a passagem da primeira parte, que conta do “romance” do casal alternando com flashbacks de ambos para então a segunda parte que [COMEÇO DO SPOILER] mostra um tempo real sobre como o casal é preso. A segunda parte é bem interessante, mas no final da primeira, temos a impressão passageira de um final de filme. Aí a cena de Mallory enfraquecida pela picada da cobra se arrasta. De qualquer forma, o filme volta a ganhar força mais ou menos na parte da entrevista de Wayne (Robert Downey Jr.) com Mickey. [/FINAL DO SPOILER]

Em relação a atuação de Woody Harrelson e Juliette Lewis, não temos muito o que reclamar: Harrelson que já tem uma feição meio de problemático mascando chiclete com sorrisinho lateral (que manteve a faceta em Zumbilândia) se mostra bem qualificado, ainda mais para interpretar um piscopata. Juliette Lewis tem aquela fala enrolada (que também mantém em Simples Como Amar onde tem problemas mentais – só que não mata) e representa bem seus ataques, surtos, e também uma faceta meio tímida e triste em certos momentos. Já Robert Downey Jr. tem um papel medíocre, então dentro de suas limitações, também não deixa a desejar.

No mais, a linda voz de Leonard Cohen soando ao fundo. Espetáculo.