“Kevin, you wanna play scissors, paper, stone again?”





Se há um exemplo cinematográfico claro sobre forma e conteúdo, função e estética, atribuimos este filme como um dos principais. Gravado num bairro pacato da Flórida, Burton (que estartou sua fama a partir deste filme, junto com Depp) pintou todas as casas com cores vivas e saturadas. O personagem principal era uma figura sombria, com a pele branca roupas escuras. Quase uma junção de Caligari com The Cure.
Através deste contraste metafórico entre o sombrio e o colorido vivo, se contava a história do Estranho VS Socieadade Comum. Todos eram iguais exceto Edward, uma invenção não finalizada com suas mãos de tesoura que tornava-o incapaz de tocar qualquer coisa sem ferir. E a graça toda do filme: Era Edward o mocinho de coração puro. E todo o “mundo colorido” os grandes vilões…

Considerado um dos melhores trabalhos de Burton (na verdade, o melhor), Edward traz um roteiro diferente, ao mesmo tempo que simples, soando quase como uma fábula triste sobre uma figura que buscava a aceitação de todos. É uma alusão nítida sobre preconceitos através da imagem. Vemos no personagem uma inocência que a princípio parece não condizer com suas características. Edward é a personificação da esquisitice humana que pode ser amada por uns, desprezada ou injustiçada por outros.
Kim (Winona Ryder) é uma das poucas que de fato percebe Edward como se fosse um humano e Edward por sua vez se apaixona pela garota que sabe que não pode abraçá-la, por mais que queira. Johnny Depp, apesar de dizer somente 169 palavras no filme todo, ganhou destaque e marcou sua carreira interpretando o sombrio Edward, ganhando aí um passaporte da alegria eterno com Burton entre decepções e acertos posteriores. Winona é morna, como acredito que é em quase todas atuações, mas cumpre a sutileza e traços doces que seu personagem traz, intercalando uma leve maquiada perversão para se aproveitar de Edward, como os outros.

E aqui temos ainda a honrada e última aparição de Vincent Price (um ídolo de Burton que já havia dublado um primeiro curta stop motion do diretor em 82), como o inventor de Edward, que morre antes de finalizá-lo, deixando tesouras tão afiadas quanto as Facas Ginso no lugar das mãos.
Edward Mãos de Tesoura faz parte da série: Filmes dos anos 80 que você assiste hoje em dia, e produz o mesmo efeito. Ou seja, é uma pintura conceitual e atemporal, passível de discussões ao redor de seu tema de pano de fundo, uma obra de arte daquelas que Burton nunca mais será capaz de construir outra igual. E por mais bizarros que sejam seus personagens posteriores, nenhum se compara a Edward.
Bom dia meninada! Como a segunda-feira é um dia adorável para todos, ainda mais pra quem não pegou férias no final de ano, vamos a trilha da semana!








