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Maratona Mestre Yip Man

18 jan

Há muito mais sobre a história de Yip Man, do que simplesmente ter sido o mestre de Bruce Lee. Os três filmes lançados a respeito do mestre de Wing Chun provam isso, com semi-biografias que narram entre muitas lutas, a essência e filosofia do Kung Fu, e o grande homem que foi o protagonista. Os três longas são chineses, tendo no elenco atores que fogem um pouco da cena Hollywoodiana (se comparado a Jet Li ou Jackie Chan) e que mostram por sua vez, um talento nítido, como Donnie Yen (Hero, e Blade II) que interpreta Mestre Ip em dois filmes. O terceiro e último lançado, trata do começo em que Ip começou a treinar o estilo Wing Chun, e por isso, é interpretado pelo jovem Dennis To, que também se mostra um ótimo ator. É a prova de que a China não deixa nada a desejar em se tratando de cinema. Bem verdade que os filmes é uma “estapeação” só, mas além da ausência (não completa) do plástico exagerado de pessoas voando (Como em O Clã das Adagas Voadoras), você vê puro Kung Fu, e também roteiros que mesmo não se desvencilhando completamente dos clichês, conseguem te prender e fornecer um pouco de tudo: Aventura, Comédia (em doses sutis), Drama, Romance e claro: muita ação. E alto lá você que não tem muita paciência pra ver cenas de luta: definitivamente você não irá gostar destes filmes que em todos trazem alto teor de Kung Fu em 80% das cenas.  Os 20% restantes estão divididos entre outras lutas, e outros detalhes que permeiam a trama. Eu, que adoro assistir uma “estapeação bem feita” (e claro, falo assim de uma forma chula e leiga, porque vai muito além de um termo tão banal quanto este)  não tive problemas com isso…

Resumão: Yip Man nasceu em Foshan, na China em 1893. Após a morte de seu primeiro mestre, foi para Hong Kong continuar seus estudos e voltou depois para sua terra natal, onde aprimorou ainda mais seu conhecimento e se casou, tendo um menininho. Vivia muito bem de vida, até a chegada dos japoneses com a Segunda Guerra Mundial que o fez perder seu dinheiro e passar a ter uma vida muito mais simples. Apesar da Roda da Fortuna ter girado para o mestre, Yip possuía uma humildade contrastante, nunca subestimando seus adversários (exceto em sua juventude, quando ainda estava aprendendo). Após uma luta difícil com um dos generais japoneses, Yip voltou a Hong Kong, onde finalmente começou a ensinar Kung Fu e ficou por lá até sua morte em 1972, fato que não chega a ser mostrado nos filmes, tendo finalizado a história da trilogia, com uma vitória contra um lutador ocidental que chegou na China apavorando e desrespeitando o estilo de luta dos chineses.

Aqui, vou contar os filmes na ordem de lançamento invés da ordem dos fatos (pra dar uma variada né?). Ah, aliás… dessa vez fico devendo as quotes de cada filme ok? Quando eu aprender Mandarim ou Cantonês eu coloco e aviso vocês  =)

O Grande Mestre  (2008)

Dirigido por Wilson Yip, o filme traz qualidade tanto em peças essenciais para um bom filme quanto em categorias técnicas como uma boa fotografia e figurino. Ele traz uma composição visual que vai do topo ao fundo do poço representando como que mestre Yip vivia numa linda mansão e acabou indo morar num cortiço devido a Segunda Guerra e a invasão dos japoneses. A trama aqui está em cima disto, primeiro com outros praticantes de Kung Fu desafiando Yip,  se “rendendo” e prestando respeito as habilidades deste, e depois, se unindo de certa forma, quando os japoneses tomaram conta de Foshan. Aí entra em cena o pessoal do Karate, fazendo duelos entre o pessoal do Kung Fu e se caso estes ganhassem, teriam em troca um saco de arroz. Muitos aceitaram a proposta apesar da humilhação pois a China passava fome. Alguns morriam, evidente. O filme tem uma violência controlada e vai aumentando a dose conforme nossa vontade trilhada pelo roteiro bem estruturado de Edmond Wong. Donnie Yen, que interpreta Yip reproduz a calma, a paciência e sabedoria de um grande Sifu. Engraçado que aqui a China faz aquele drama que todo Norte Americano faz quando relata um pouco da história da guerra: puxa sardinha pra eles, fazem um drama de coitados e uma imagem de que o oponente (no caso os japoneses) são os malvados da vez. Historiadores, me contem se o filme é bastante claro na adaptação a realidade? Outra coisa delicada é esse “duelo sutil” entre dois estilos de luta diferentes. Yip Man foi um homem sábio e humilde, mas teria o diretor do filme as mesmas características quando apresenta uma máscara duvidosa que botam lutadores de kung fu como os grandes ganhadores contra os lutadores de karate? Coisa polêmica essa. E na realidade, irrelevante se todos pudessem respeitar todos os estilos e admitir que todos tem sua própria garra, sabedoria e filosofia que é preciso respeitar…

Mas, voltemos ao foco, produção?

O Grande Mestre 2 (2010)

Do mesmo diretor, conta como mestre Yip começou a viver em Hong Kong após o episódio trágico do final da Guerra, e de sua batalha com o general japonês. Mostra como ele começou a dar aulas de Wing Chun a fim de ganhar dinheiro para pagar o aluguel de sua casa, e também de propagar o estilo, além de conseguir o respeito dentre os demais mestres que ensinavam Kung Fu em Hong Kong. Um deles é Mestre Hong (Sammo Hung Kam-Bo) que apesar das desavenças com Mestre Yin, seus conceitos mudam quando vê a personalidade e a compaixão deste homem. No fim, ambos se unem alimentando desavenças contra um inimigo maior: um lutador de Boxe, Twister (Darren Shahlavi) que desafia os mestres e insulta o Kung Fu, como uma arte de dancinha e não de luta. Tanto este filme quanto o anterior consegue mostrar um pouco da filosofia do Kung Fu, sintetizadas por Mestre Yin neste segundo quando ele dá um breve discurso aos ocidentais falando sobre respeitarmos uns aos outros sem se importar quem é ou não o mais forte. Ah! E neste a gente sente um gostinho bom, com a breve aparição de um menininho bravo chamado Bruce Lee que pede aulas para o Mestre. Um charme a mais pro filme, sem dúvida.

Yip Man – Nasce a Lenda (2010)

Desconfio que na China deve faltar bons atores, e todos eles foram parar nos filmes sobre Yip Man. Afinal, Sammo Hung Kam-Bo que interpreta o Mestre Hong no segundo filme, está aqui de volta, porém agora interpretando o Mestre Chan Wah-shun, Sifu de Yip Man quando este ainda pequeno vai parar lá nos treinos de Wing Chun. Apesar de ser o último filme feito, ele narra o começo de tudo. Yip Man, por mostrar duas fases de sua vida (ainda menino e depois adolescente) é representado primeiro e rapidamente por Yu-Hang To e depois pelo talentoso Dennis To, quase tão bom quanto Donnie Yen. O interessante aqui é que Dennis To consegue representar dando um sentido único e um contexto forte para a figura de Yip Man mantendo detalhes de suas características e personalidade como o semblante calmo e o controle de sua concentração mesmo em horas de raiva, como Donnie foi capaz de fazer. Entretanto, o filme, com direção agora de Herman Yau, é o mais fraco dos três, não prendendo muito, mesmo com uma trama relativamente mais intrigante em volta de assassinatos misteriosos e até mesmo do início de seu romance com sua futura esposa.  De resto, as mesmas cenas de ação e luta estão lá. Eu recomendo assistirem num intervalo de 1 hra cada um. Até para quem pratica Kung Fu, dá uma certa canseira de ver tanta poeirinha saltando da sapatilha com os chutes e socos intensivos…

Kung Fu Kid (2010)

9 set

“Dre, you taught me very important lesson: Life will knock us down, but we can choose whether or not to stand back up.”

O remake de Karate Kid surgiu com a proposta de fazer o filme melhor. Sem a fraca atuação de Ralph Macchio e com golpes e formas reais.

Aparentemente parece que a nova versão é melhor sob muitos aspectos: Jaden Smith tem grande potencial. O garoto faz ótimas caras, possui uma boa atuação e convence mais do que Daniel San. As coreografias de lutas, são perfeitas, botando o original no chinelo, de fato. Desta vez, além da trama se passar em cima de outra arte marcial, as lutas são mais convincentes, deixando de lado as partes filosóficas e conceituais do Kung Fu, o que não ocorreu no original com o Karate de Daniel San. E isso foi inteligentíssimo para um remake. Afinal, mostrar a parte prática e mais ação no filme, é muito mais interessante, não? Pro grande público, sim.

Entretanto, de um ponto de vista de roteiro pecaram em demais aspectos. Quando falo roteiro, não me refiro somente a história. Até porque, o próprio Karate Kid original possuía um roteiro fraco, e o remake por ser um remake, deveria mantê-lo mesmo assim. Ou seja, quando digo que há erros no roteiro, é sim, comparando os dois filmes.

O primeiro aspecto falho é que no original a história se passa na Califórnia. Ou seja, é natural encontrar academias com ocidentais pregando uma filosofia que não pertence as artes marciais: “Sem misericórdia!”.

Entretanto, neste remake a história se passa na própria China. Não parece haver sentido esta filosofia aplicada lá. De qualquer forma, é muito provável que consideraram isso, pois após a cena do “show no mercy” começa a ter consertos disso. Sr.Han (Jackie Chan) cita a frase do Sr. Miyagi: “Não há maus alunos, só maus professores”. E com o desenrolar do filme, você percebe que o único sem noção lá era o professor (ok, perdoável mesmo inconsistente), pois os próprios alunos “do mal” saúdam o mestre interpretado por Jackie Chan depois. Este por sua vez, não convence como um oriental. Jackie Chan é hollywoodiano demais, exala americanismo, mesmo com os olhinhos puxados. O personagem Mr. Han é fraco e embora sua atuação seja mais honrada do que nas comédias toscas que ele faz, não convence enquanto um Sr. Miyagi. A cena da sua choradeira no carro é deprimente.

Pois bem, segundo aspecto falho: Dre Parker (Jaden Smith) tem no filme 12 anos de idade. Muito novinho pra sair apanhando e batendo daquele jeito por aí né? Mas, independente disso, me diz qual é o torneio na China daquele porte que tem crianças lutando daquela forma? Vou enviar meus sobrinhos pra lá então, porque os pestinhas tão precisando!

Terceiro e último aspecto falho notado por mim: Gente, eu sei que é filminho feliz, que tem que terminar bonito, e forçado, igual no original. Mas, ocorre que no original, Daniel San já lutava, mesmo que toscamente um Karate for dummies… No remake, mostra apenas uma cena de Dre lutando acompanhando pela TV (Karate mesmo, não Kung Fu) e ocorre que no torneio o moleque se torna um Jedi dando golpes e vencendo de chineisinhos que treinam a arte marcial desde quando usavam fraldas! Mágico não?

No karate Kid original, Daniel San ganha por sua simplicidade e concentração. Por mais forçado que soa ainda assim aquele final, pode-se concluir que não basta força e agilidade no karate e sim elementos de equilíbrio e auto controle espiritual. Muitíssimo exemplificado por Sr. Miyagi. Já no remake, o filme tentou, mas não tem muito este apelo, considerando mais o “pau comendo solto mesmo”. O que é bonito de se ver né? Contudo, Dre não ganhou nem por concentração nem por simplicidade. Ele baixou um cosmo de pégasus e por isso ganhou o torneio… só pode.

Mas no geral, o filme é um bom entretenimento sobretudo nas próprias partes de luta. Merece algumas estrelinhas.

E não querendo ser redundante mas, SE O FILME É SOBRE KUNG FU, PORQUE DIABOS O NOME KARATE KID???

Tá, eu sei essa resposta (Deus abençoe as grandes bilheterias porque Hollywood sobrevive somente disso agora). Mas, se o diretor tivesse me perguntando antes eu diria: Faça um “Karate Kid 5: Kung Fu Kid” seria mais digerível pra pessoas inconformadas com essa história que nem eu…

Batalha de Anakin VS Obi-Wan

23 jun

Saudações caros!

Inaugurando aqui, mais uma seção special! São os Greatest Scenes, que como o nome já deixa bem óbvio, são aquelas cenas fodásticas que você assiste uma vez e permacene em sua memória por todo o sempre (o.O).

Sendo assim, escolhi como primeiro, uma cena que eu acho impressionante, principalmente na expressão dos personagens e dramaticidade da cena. Estou falando do terceiro episódio de Star Wars, na batalha onde Obi-Wan luta com seu próprio Padawan, Anakin Skywalker. Neste episódio, e último que foi desenvolvido, é mostrado como que Anakin foi para o lado negro da força, bem como ele se torna Darth Vader \o/.

Então, vamos lá!

Cena: Batalha de Anakin Skywalker VS Obi-Wan Kenobi.
Star Wars – Episódio III -  A Vingança dos Sith (2005)
Dir. George Lucas

Obi-Wan: You were the chosen one! It was said that you would destroy the Sith, not join them! You were to bring balance to the force, not leave it in darkness!
Anakin Skywalker: I hate you!
Obi-Wan: You were my brother, Anakin. I loved you!

Há várias razões para Star Wars ser fenomenal. Vou me limitar ao máximo em focar na cena. Não preciso falar que há spoilers no post né? E além de tudo, quem não conhece ainda toda a história? Até mesmo aqueles que não assistiram todos os filmes, sabe que Anakin vai para o lado negro, vira Darth Vader, o pai de Luke Skywalker. E se você não sabia disso… sorry…

Essa cena, pra mim é inesquecível porque ela exprime toda a dor, raiva, angústia de Anakin (Hayden Christensen), e até mesmo, raríssimos segundos de remorso. Eu disse raríssimos. Neste episódio III, Anakin era o escolhido para destruir os Sith. Todos, inclusive mestre Yoda, estavam convictos de que Anakin iria “equilibrio à Força dar” (piada interna). O mais bonito de tudo, é que mesmo todos terem se decepcionado com Anakin, você cinéfilo que já conhece a saga toda, conclui no mesmo instante ao relembrar do episódio final: “Sim, Anakin realmente deu equilibrio a Força”. Afinal, é Darth Vader que destrói o Lord Sith, salva Luke e termina com todo caos.

(Foco, Natalia! Foco!).

Bom, os primeiros minutos de luta, é aquela coisa que se vê em toda cenas de lutas de espadas (no caso, sabres de luz). Piruetas pra cá, piruetas pra lá, luta em cima de uma corda, luta em cima de uma pedra, enfim. Comum, mas necessário, e no caso de ser Star Wars: mágico.

Então você se pergunta, se é uma luta relativamente comum, o que faz dessa cena memorável?

Resposta: A expressão de dor em Obi-Wan (Ewan McGregor) e a de ódio cegante em Anakin. O diálogo final (citado acima), quando Obi-Wan leva a vantagen e mete o sabre nas canelas de Anakin ( este cai no chão indefeso, derrotado), você vê na expressão de ambos uma intensificação das palavras.  Quando Obi-Wan diz que era para Anakin dar equilibrio a força, e que era para destruir os Sith, não se juntar à eles, se percebe um sofrimento em Anakin (aquele segundo de remorso) e logo vem a repulsa e ódio quando Anakin grita um “I Hate You!” tão convincente que ele (se pudesse) destruiria Obi-Wan com a força da mente, à la Sheldon Cooper.  E quando Obi-wan diz “Você foi meu irmão, Anakin. Eu te amei” Essa é a hora que o nerds chora.  Obi-Wan não mata Anakin, e vai embora como se ele também fosse o derrotado, considerando que era seu objetivo fazer Anakin enxergar a realidade.

Falando diretamente, é a expressão e a dramaticidade do diálogo e da cena, que fez ela ser uma das melhores que já vi. A cena mais esperada para todos que até então havia visto os 5 episódios, e aguardava ansiosamente o último…no caso, terceiro (“hein?!?”).

Segue a palhinha: