“I’ve never known anyone who actually believe that I was enough until I met you. And then you made me believe it too”.





Certos filmes me fazem lembrar o porque que amo cinema. Mais do que analisarmos sobre a técnica, fotografia, atuação ou roteiro. Sou uma mera blogueira que escreve sobre o que gosto, não tenho um estrito objetivo de profissionalizar isso. O ponto delicado disso, é que corro o risco de ser pessoal demais em certas resenhas. Mas, voltando na linha de raciocínio do começo, certos filmes soam importantes e profundamente belos pra gente, por que além de nos desligarmos de nossas vidas, nos conectando numa outra (mesmo que fictícia), nós podemos por vezes se identificar com algum personagem. E desta forma, o filme pode até ser um filme comum, mas faz toda diferença pra você. Considero então que os gostos por determinados filmes são únicos variáveis e relativos conforme nossa percepção e padrão de vida.
Amor e Outras Drogas se passa na década de 90 (1996) e conta sobre um Don Juan que pega tudo quanto é ser que usa calcinha (ou não). Após ser demitido como vendedor de aparelhos eletrônicos, e sendo um pouco influenciado pela família que é da indústria farmacêutica, ele resolve se tornar representante da Pfizer, mais precisamente de um remédio que é uma espécie de concorrente do Prozac. O Don Juan é Jamie (Jake Gyllenhaal) perfeito para o papel, pela característica carimbada de olhar sedutor, risadinhas de deboche e com doses controladas de cinismo. Numa de suas insistentes idas ao médico ele conhece Maggie (Anne Hathaway) que com 26 anos tem Mal de Parkinson, e vive sozinha em seu apartamento, e apesar de sua extrema simpatia e reciprocidade com os homens, tenta não se relacionar a fundo com ninguém acreditando que sua doença seja um fator impactante numa vida amorosa.

Não é necessariamente uma Comédia Romântica. Definir este filme como uma Comédia Romântica é menosprezar sua linguagem e o conceito mais estruturado por trás do roteiro. Contudo, não é tão somente um filme de Comédia Dramática, uma vez que apesar do drama estar lá (principalmente da metade para o fim) há romance e há cenas muitíssimo engraçadas. As cenas hilárias do começo chegam a forçar um pouco, dando a impressão de que o filme será outro besteirol estrelado por Adam Sandler e Drew Barrymore. Na medida que a história vai sendo conduzida, as cenas engraçadas possuem mais sentido, o carisma entre os personagens vai ser formando assim como o compreendimento de toda a história.
E por falar em carisma dos personagens, as cenas picantes de Gyllenhaal com Hathaway ultrapassam e muito o status de comédia romântica. Ambos possuem uma química entre si forte que facilmente passa isso para quem assiste. Estão em perfeita sintonia não sendo necessário aqui destacar o quanto os dois possuem uma atuação excelente.

E então, Jamie, o cara que não se prendia a mulher nenhuma, acaba se apaixonando por Maggie e com isso, o receio de como seria uma vida ao lado de uma pessoa com Parkinson começa a ser considerado por ele. Maggie, a garota que não queria envolvimentos por sua vez, acaba se apaixonando por Jamie, e apesar deste desempenho inevitável do filme, há peculiaridades que nos tocam intercalados por algumas cenas cômicas.
O final não sai do clichê, nem por isso perde pontos por conta deste fator. Afinal, a gente espera pelo clichê mesmo. Qualquer coisa diferente daquilo que esperamos pode resultar em algo desagradável, como acontece com outros filmes demasiado dramáticos. Como destaque fica a atuação de todo o elenco, principalmente o casal protagonista, e também do personagem de Josh Gad, que interpreta Josh, irmão de Jamie. Josh faz um gordinho geek, e é responsável pela maioria das cenas engraçadas. Outro destaque se dá para a trilha sonora, cheio de canções já conhecidas que casam perfeitamente para cada momento em que são tocadas no filme, como The Kinks, Spin Doctors e ainda a (fofíssima) Regina Spektor que também se faz presente na trilha de (500) Dias com Ela.

O filme conta com cenas marcantes como Jamie passando mal para dizer “Eu Te Amo” ou mesmo a convenção de pessoas com Mal de Parkinson e Maggie animada após assistir a convenção. O sarcasmo e humor negro destas pessoas me fez lembrar a capacidade que algumas pessoas tem de rir das próprias desgraças e ser feliz, seguir adiante, encarando seja lá o que se tem. Jamie receia um futuro com Maggie, por conta do que a doença pode trazer para ele de desconforto. Busca de toda forma a cura para uma doença que não tem cura. [COMEÇA SPOILER] Até que se chega num ponto onde ele diz que pode carregar Maggie quando esta não puder mais andar. E que se em outro Universo Paralelo houvesse um casal como eles, porem perfeitos, não teria a mesma graça. [TERMINA SPOILER] Está aí um final que apesar de manter padrões de clichê, não nos ausenta de tamanha sensibilidade e fundamento. Não é um filme que mereça tamanho destaque. Contudo, eu – A Natalia blogueira – boto na minha cabeceira, e limito-me aqui de dar-lhes uma razão plausível para isso. É apenas gosto pessoal, se me permitem =)















