Arquivos | Seasons RSS feed for this section

Twin Peaks (1990-1991)

29 nov

O LOST da década de 90 (em clima de final de 80), foi uma criação de David Lynch e Mark Frost, numa época em que séries desse estilo, com assassinatos, mistérios em torno de uma cidadezinha interiorana, era novidade. Faço a comparação com LOST, porque da mesma forma que a série virou um vício, Twin Peaks virou também na época em que rolava na TV. Falo isso, acreditando em pessoas que viveram essa época, claro =) Eu só assistia TV Cultura nessa fase…

Laura Palmer (Sheryl Lee) destaca mais como ícone da série do que com sua atuação.

Quando resolvi assistir a série por indicação, levei em consideração dois quesitos: o primeiro, o fato de ter a mão de Lynch. Ou seja, coisa normal não era. Bem verdade que ele fez só os primeiros 7 episódios, da primeira temporada, que inclusive é a melhor. Mas, o toque de birutice sempre esteve presente na série. O segundo quesito, foi a sinopse inicial com a pergunta que ecoou por um bom tempo nas mídias disponíveis da época: Quem matou Laura Palmer? Posteriormente, essa história toda gerou um filme (do Lynch) mas que não obteve sucesso algum, até pelo fato de não mostrar nada que nossa curiosidade já não tenha se alimentado, após ter visto a série.

Kyle MacLachlan como Dale Cooper à esq. e ele atualmente à dir. Tem atuado na série Desperate Housewives.

O episódio piloto, não desperta muita paixão, para você já habituado com as séries desta nova geração. Os sintetizadores oitentistas, a fotografia granulada digna de séries antigas a la A Gata e o Rato, faz você se assustar um pouco e torcer o nariz com certo preconceito daquilo tudo. Mas, são os personagens curiosos, cada um com manias e hábitos esdrúxulos além da grande questão de quem será o assassino de Laura Palmer, que faz você ficar. E depois de no máximo 3 episódios, tudo isso movido por preconceitos inciais vira vício. Bem, pra mim foi assim…

Lara Flynn Boyle interpreta Donna, a melhor amiga de Laura.

Sherilyn Fenn interpreta Audrey, a filha de Horne que também tem grande destaque na série. Atualmente a atriz tem um blog e só: http://sherilynshines.blogspot.com/

O foco dessa série é Kyle MacLachlan (do qual Lynch havia gostado de seu trabalho em Veludo Azul) que interpreta um agente do FBI, Dale Cooper. Ele vai para Twin Peaks, para investigar o caso do assassinato de Laura Palmer, uma garota comum aparentemente, estudante que levava uma vida normal pelo o que se via superficialmente. Cavocando em seus mistérios, mergulhamos na sujeira de Palmer e da própria Twin Peaks, uma cidadezinha de poucos habitantes, calma, e pacata e que segundo o detetive Cooper, tem a melhor torta do mundo…

David Duchovny faz uma ponta ridícula como Denise, uma detetive do FBI que se assume como mulher, na segunda temporada. Não tem efeito nenhum na série, mas quis postar a foto =)

“Fellas, coincidence and fate figure largely in our lives.”

Xerife Harry Truman de Twin Peaks. Se torna braço direito de Dale Cooper.

Nisso, elementos sobrenaturais de todo e qualquer tipo invade a história e obviamente, ilusão mescla com realidade constantemente, oscilando entre sonhos esquisitos com anões dançando, cortinas vermelhas, piso xadrez. O perfeito cenário lúdico de Lynch. E acreditem, por mais toscos que sejam os efeitos, dá medo. Lynch assusta pela tosquice e a cara maluca de seus atores… Vide Bob, a figura enigmática e mais medonha da série, que vez ou outra surge na visão de algumas pessoas. Tudo por vezes fica no ar, despertando nossa curiosidade. Alguns elementos com o tempo são resolvidos e encaixados. E tudo pode dar vazão a discussões a respeito de furos no roteiro ou algo assim. Entretanto, numa série criada pelas mãos de Lynch, todas as peças de fato não são encaixadas e ninguém liga pra isso no final…

“Harry, I have no idea where this will lead us, but I have a definite feeling it will be a place both wonderful and strange.”

Ray Wise é Leland Palmer, pai de Laura.

Depois que descobrimos o verdadeiro assassino de Laura Palmer – que confesso, não imaginava e fiquei em choque quando descobri – a série dá uma boa esfriada, deixando tudo muito menos interessante, mas vale a pena chegar até o final. Até porque, só são 2 temporadas. A primeira com 7 episódios e a segunda com 22 episódios, ficando longo demais e partir do 11, mas ganhando aos poucos força novamente, o suficiente para chegarmos ao final. Após isso, a série foi cancelada, ficando na memória do pessoal e na filmografia estapafúrdia de Lynch…

Para aqueles que já conheciam e gostam da série, segue o link do site do fotógrafo Richard Beymer, que fotografou várias fotos do set de filmagem do Twin Peaks. Só tem foto esquisita =D


Anos Incríveis (1988-1993)

15 abr

Quem dos 20 aos 40 anos não se lembra de Kevin Arnold e seus pensamentos tão admirados pela gente? Ou da rouca voz de Joe Cocker cantando na vinheta de uma gravação em família – Os Arnolds – numa nostalgia quase viciante? The Wonder Years (ou Anos Incríveis, numa época onde não baixava séries de internet e esperava passar na Tv Cultura) é sem dúvida a série que mais marcou minha infância/adolescência e a mais especial. Tem um lugar reservado no meu coração, e é certeza que no coração de muitos também. Sua primeira temporada possuía somente 6 episódios, pois na época, a ABC tinha receio de arriscar numa série filmada com uma câmera, sem espectadores rindo de fundo (o que era tipicamente garantia de sucesso na época). Anos Incríveis logo em seu episódio piloto chamou atenção de todos, pela mescla que manteve em todos os episódios seguintes: misturar humor e melancolia.

Narrador: Havia apenas mais uma coisa a se dizer. a coisa simples, corajosa, a coisa que estava em ambos corações.
Kevin: Quer… Estudar pra nossa prova de História?
Winnie: Claro.

Com 6 temporadas, a série é narrada pelo próprio Kevin (Fred Savage), com uma voz já mais velha retratando o final da década de 60 e início de 70, período que entrou no ginásio e conheceu a difícil e confusa Winnie Cooper (Danica McKellar). Além disso, tem o pano de fundo de todos os fatos que aconteceram naquela época. Fatores políticos, cena musical, enfim. O gostoso de Anos Incríveis é que Kevin fazia toda nossas pequenas e grandes crises e descobertas da vida serem filosóficas demais, como se qualquer um de nós pudessemos (e podemos realmente) fazer da nossa vida a medida que crescemos uma história para ser contada anos depois. São realmente estes anos incríveis de cada um que são expostos de uma maneira sensível e maravilhosa pela série ao longo de seis anos. E apesar da série ter sido feita para os babyboomers da década de 60, o fato é que os jovens da década de 90 se identificavam demais com a série e pelo personagem Kevin pelos fatores que ocorriam a ele, tão coincidentes com a infância e adolescência de cada um.

“Crescer é algo muito rápido. Um dia você usa fraldas e no outro você vai embora. Mas as memórias da infância permanecem com você. Lembro-me de um lugar, uma cidade, uma casa como várias outras casas, um quintal como vários outros quintais, em uma rua como várias outras ruas. E o fato é que, após todos estes anos, eu ainda olho para trás e penso: “foram anos incríveis.”

Principais Personagens e por onde andam agora:

Fred Savage – Kevin Arnold


Kevin era o filho de Norma e Jack Arnold, que quase sempre era incompreendido. Seu irmão Wayne vivia pentelhando Kevin ou mesmo subornando. Winnie foi sua paixão desde quando a conheceu até o final da série. A única que se dava melhor com Kevin da família era sua irmã Karen, a Hiponga da história. Ah sim, e Kevin ainda tinha o seu melhor amigo, como todo mundo: Paul – o famoso caricato nerd.

O ator que interpretava Kevin – Fred Savage – se tornou uma pessoa meio afastada das óticas midiáticas, mas atua em alguns papéis e já chegou a filmar alguns filmes toscos como o mais recente O Acampamento do Papai. Teve mais sucesso dirigindo seriadinhos da Disney Channel e Nickelodeon…

Dan Lauria – Jack Arnold

O pai de Kevin, carrancudo veterano da guerra, porém com um perfil forte que por vezes cativava, na vida real obteve mais sucesso, digamos assim. Além de atuar em bons filmes como Independence Day, ele também continuou no ramo da televisão em séries como Smallville ou How I Met Your Mother.

Alley Mills – Norma Arnold

A fofíssima mãe, faz pontas em seriados e novelas. Nunca esteve em Red Carpet, mas é o tipo de atriz que só é lembrada pela série (não muito diferente do caso de Savage)

Jason Hervey – Wayne Arnold


O chatinho irmão de Kevin (que mais irritava do que cativava, mas era muito engraçado devido ao seu QI de pantufa) faz a série Scott Baio Is 45…and Single, casou-se com uma ex atriz pornô , virou produtor de TV e tá feio pra cacete. Notem como os elementos do rosto não se distribuiram bem e nem se expandiram dentro do rosto largo da criatura.

Olivia d’Abo – Karen Arnold

A Hippie agora dubla desenhos e fez uma ponta na série Eureka.

Danica McKellar – Winnie Cooper

A Namoradinha de Kevin fez ponta no How I Met Your Mother  (uma dos casos rápidos de Ted Mosby) e fez um livro de matemática para garotas o.O

Josh Saviano – Paul Pfeiffer


Ah sim, esse virou o Marilyn Manson e transa com si mesmo… Rá!

Saviano se formou em Ciências Políticas e Direito. Trabalha num escritório em Nova York e pra falar a verdade, deve ganhar mais do que todo o resto do elenco…

“Mais do que qualquer pensamento, é difícil imaginar ter 12 anos de idade…e não ter um melhor amigo com Paul Pfeiffer. Paul era o cara mais legal que eu conheci. Ele teria feito tudo por mim – Sei disto. E eu teria feito tudo por ele. Pelo menos, eu sempre pensei que faria.”

Abaixo, tem a primeira parte de um super especial da Tv Americana contando sobre a série. Tem 5 partes, sugiro ir lá no Youtube dar uma bizucada quem tiver interesse =)

Combate (1962–1967)

18 mar

Um dos melhores seriados de todos os tempos está na programação do TCM (canal 91, pela Net). É Combate (“Combat!”, título original). A série foi produzida entre 1962 e 1967, e reprisada nas décadas seguintes, conseguindo uma legião de fãs em todo o mundo. Sábados e domingos, às 14 horas. Passa um episódio completo a cada dia. Recomendo com o mesmo entusiasmo que o assistia quando criança.

Combate retrata as aventuras de um esquadrão do exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, logo após o Dia D, quando os aliados invadiram a Normandia e começaram a expulsar os nazistas dos países ocupados na Europa.

O que transforma Combate num cult é o fato de não se restringir a mostrar trocas de tiros entre soldados. O tiroteio apenas faz parte de diversas histórias que acontecem naquele cenário de guerra. É ali, no front, numa situação limite, que dramas pessoais são mostrados e analisados de maneira empolgante.

O esquadrão, comandado pelo tenente Hanley (Rick Jason), tem uma patrulha fixa, integrada pelo sargento Saunders (o excelente Vic Morrow, pai da atriz Jennifer Jason Leight), e os soldados Cage, Kirby e Baixinho (Little John), além de Doc (o médico).

Entre os atores convidados, temos mais um esquadrão de astros, como Charles Bronson, James Franciscus, Claude Akins (Xerife Lobo), John Cassavetes, Lee Marvin, Telly Savalas (Kojak), Robert Duvall, Dennis Hopper (Sem Destino), James Caan, Bill Bixby (O Incrível Hulk), Fritz Weaver, Nick Adams (O Rebelde), James Coburn e Ricardo Montalban (Ilha da Fantasia), entre outros.

Atrás das câmeras, a série contou com diretores que depois se consagraram no cinema, como Robert Altman (Mash, Dr. T e as Mulheres, Nashville etc). Mais informações podem ser conseguidas num site excelente: www.combatfan.com.

Em Combate, não há nenhuma manifestação a favor da guerra. Em um dos episódios, um médico alemão se une ao médico americano para salvar a vida de uma criança francesa. Em outro, um soldado ajuda um colega, que lhe devia dinheiro de jogo, e é acusado de só ter feito aquilo por causa da dívida. “Não”, ele diz. “Eu o ajudei porque era o meu dever.”

Lições de dignidade, caráter e amor pelo semelhante tornam Combate uma série que pode ser vista a qualquer tempo, independente de sua ação transcorrer na Segunda Guerra Mundial. São lições das quais nunca devemos nos afastar, seja qual for a guerra, pessoal ou social, em que nós somos os personagens principais.