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Maratona De Volta para o Futuro

17 ago

Hill Valley e seu icônico relógio foi o cenário que uniu, além de demais detalhes, os três grandes filmes produzidos por Steven Spielberg  e dirigidos/escritos por Robert Zemeckis. Anos depois a trilogia é uma das mais especiais que temos quando falamos em Sessão da Tarde, e mais do que isso, assistir ela nos tempos atuais (mesmo que o futuro 2015 do segundo filme nos pareça ridiculo) faz despertar o mesmo respeito e admiração pelo filme. Há um nó muito bem desenvolvido que liga os três filmes de modo que não parece forçar a história, como muitos outros clássicos que se estenderam na década de 80. Tudo é bem redondo, com chamadinhas e insinuações de vários pontos da história, ao longo dos três filmes.

De Volta para O Futuro (1985)

“If you put your mind to it, you can accomplish anything.”

Marty McFly (Michael J. Fox) é um adolescente que mantém uma amizade com um velho cientista esquisisto, Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd magnífico). Este revela a Marty que fez uma máquina do tempo com um DeLorean, e que era preciso alcançar a velocidade de 88mph (milhas por hora) para que a máquina fosse capaz de transportá-los para um outro tempo. Acontece que, indo parar em 1955, Marty acaba conhecendo sua própria mãe (Lea Thompson) e mudando algumas coisas importantes no curso da história, tem agora que concertar, para que seu pai acabe se casando com sua mãe e assim permitir que ele próprio exista nos tempos atuais. Entretanto, como de qualquer forma, Marty acabou mudando o fluxo das coisas, ele acaba criando no fim uma realidade alternativa para sua própria familia, evitando que seu pai fosse um eterno capacho do idiota Biff (Thomas F. Wilson).

De roteiro simples, porém que dá vazão para uma complexidade muito maior, é uma aventura bem desenvolvida, com detalhes bobos típicos das sessões oitentistas, que nem por isso deprecia.

De Volta para o Futuro II (1989)

“Great Scott!”

Considero o mais fraquinho, porém, apesar de um começo desinteressante (com um 2015 tosco se formos assistir nos dias atuais), o roteiro acaba conduzindo a história de uma forma que volta a nos prender, ainda mais com a linha do tempo de volta a 1955. Dessa vez, Doc, o cientista, leva Marty e sua namorada Jennifer para o futuro, em 2015 para resolver algo com seus filhos. Apesar do erro bobo de usar este detalhe como fator pra alavancar tudo, é com ele que Marty compra um livro com os resultados de todos os jogos da década, com a intenção de levar de volta a 1985, apostar nos vencedores e ganhar dinheiro. Doc aconselha ele sobre a péssima idéia, enquanto Jennifer acaba vendo o que aconteceria com seu futuro caso se casasse com Marty. Na sua casa do futuro, ela ouve algo sobre desafiarem Marty, e por conta de um acidente de carro, ele acabou botando tudo a perder. São as pequenas deixas no filme que vão se amarrando, desfazendo o nó, mesmo que ele esteja perdido no filme anterior ou no próximo. Agora, o almanaque caiu nas mãos de Biff, que usando o DeLorean, volta no tempo e entrega para sua versão mais nova. Desta forma, ele criou uma outra realidade, desfazendo tudo aquilo que iria acontecer no futuro. Só restava para Doc e Marty, voltar para 1955 novamente, bem quando o velho Biff, entrega o almanaque para o novo. Como eu disse, os 2/3 do filme começa a ficar bem mais interessante, dando um final bom e deixando pano pra manga para o próximo.

A única coisa que me deixa triste é que em meados de 2011 ainda não inventaram um nike com cadarços automáticos…

De Volta para o Futuro III (1990)

“Everybody everywhere will say, “Clint Eastwood is the biggest yellow-belly in the west.”

Logo, somos conduzidos para 1885, e apesar de fugir bastante da linha que o primeiro e o segundo ficaram, oscilando entre 55 e 1985, ainda temos o relógio como base e uma aventura capaz de fazer o futuro de McFly diferente. Muito legal a alusão que fazem a Clint Eastwood, com McFly usando seu nome dentro do Velho Oeste, fazendo o papel de mocinho, despistando os bandidos, mesmo que o foco esteja mais ainda para Doc, que sempre desejou conhecer pessoalmente aquela época. Aliás, eu considero este filme quase como uma homenagem a Eastwood, uma vez que o próprio McFly usa um artifício de Clint para se salvar no final (essa cena de Clint do filme Por um Punhado de Dólares passa na TV de Biff, no segundo filme da trilogia). Por mais oitentista que sejam os 3 filmes, é digno o modo que eles se completam entre si, e as formas simples que eles usaram para dizer por metáforas (como a das fotos, e outros materiais que modificavam dependendo do que era feito no passado/futuro) que podemos escrever e modificar a qualquer momento o nosso destino.

Maratona Harry Potter

13 jul

Começou assim: Eu assisti o primeiro filme, tinha 16 anos e achei tudo muito besta. Estava disposta a não ver mais nenhum, e muito menos a ler os livros. Quando estava já no 5º filme, e eu percebi que toda a estética havia mudado, eu comprei a coleção toda e comecei a ler. E a medida que terminava um livro, assistia o filme correspondente. Pronto, paguei com a língua tudo o que disse até então…

Harry Potter e a Pedra Filosofal – 2001
Dir.: Chris Columbus

Rendeu uma boa bilheteria, e cativou muito mais as crianças ou aqueles que já haviam lido o livro. Engraçado é que só vendo o primeiro filme, não se pode ter a consciência do que a franquia iria se tornar. Os personagens, ainda crianças na faixa de 11 anos (idade do Harry da história) cativam logo de cara, e apesar do filme ser um bom entretenimento do começo ao fim, não vai muito além disso.

A cena do jogo de Xadrez (a mais legal)

Harry Potter e a Câmara Secreta – 2002
Dir.: Chris Columbus

Eu particularmente considero o mais fraco de todos. Mas, ainda assim é possível ver um amadurecimento não só por conta da história mas como também dos personagens, principalmente da atuação do trio Harry, Hermione e Ron. Pra quem não leu o livro, o final dá aquela sensação: Ué, esse Valdomiro vilão de novo? Aí então percebi que a história ia longe…

Harry e o Vô do Clint Eastwood

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – 2004
Dir. Alfonso Cuarón

A partir deste filme eu já estava lendo os livros e assistindo o longa correspondente. E apesar de ser um dos melhores livros, achei péssima a adaptação do filme, com uma história pra lá de resumida. Apesar disso, a fotografia estava diferente, mais sombria, soturna. Me dei conta que Rowling sabia exatamente como estruturar toda a trajetória do pequeno bruxo. Um livro a cada ano, de modo que a criança de 11 anos que adorou Harry Potter e a Pedra Filosofal, vai crescendo e amadurecendo conforme o próprio personagem. Desta forma, a gente sabe que essa saga não vai terminar tão fofa como quando começou, e muita coisa tensa iria rolar.

Sirius Team =)

Harry Potter e o Cálice de Fogo – 2005
Dir. Mike Newell

Agora com a direção em mãos inglesas, Newell recusou fazer dois filmes para o 4º livro, enfretando o desafio de enxugar mais ainda um livro para adaptá-lo nas telas. Na medida do possível, deu certo, garantindo uma boa aventura, com cenas que pareciam ser exatamente desta forma que imaginamos quando lemos o livro.

o Mala.

Harry Potter e a Ordem da Fênix – 2007
Dir. David Yates

Yates agarrou e desde então não largou mais a franquia. Este filme tem uma fotografia muito mais soturna, a adaptação foi mediana mas já estamos num estágio onde é impossível ficar completamente decepcionado com um filme. Quando lemos o livro, queremos a representação visual daquilo que imaginamos e lá estão os filmes  para nos satisfazer. A medida que ocorra as principais cenas citadas no livro (diferente do terceiro) uma parte inconsciente de nós já se dá por satisfeita.

Monstro

Harry Potter e o Enigma do Príncipe – 2009
Dir. David Yates

Spoilers no texto.
Aqui rolou uma pequena tropeçada. Se não fosse a própria história de Rowling dar aquela sacudida (com a morte de Dumbledore pelas mãos de Snape) o filme daria um gosto amargo ao fim. Primeiro pela sua adaptação não muito bem estabelecida. Tudo acontece muito rápido, entretanto, os demais elementos do filme permanecem com a qualidade, em destaque para a fotografia e claro a belíssima trilha de John Williams.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 – 2010
Dir. David Yates

Spoilers no texto.
Eu considero o melhor de todos os filmes. E realmente, mas do que arrecadar mais bilheterias, era mais que necessário desmembrar o livro todo em duas partes, para que não se perdesse ou deixasse passar grandes detalhes e cenas. Uma pena é que como Dobby foi tirado do foco do terceiro até o sexto filme, a cena com ele perde um pouco o sentido se você não leu os livros. Enfim, ninguém ligou muito pra isso, pois pelo menos neste filme, Yates não errou. Pior seria não ter mostrado a morte do Elfo.

Vários Harrys. 50 pontos para a Grifinória

E agora, é só aguardar a estréia da segunda parte, e agradecer JK Rowling pelo Universo mágico que ela construiu, mesclando conquistas e perdas, falhas e acertos =)

Aguardem que vem a resenha de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 no próximo post!

Maratona Mestre Yip Man

18 jan

Há muito mais sobre a história de Yip Man, do que simplesmente ter sido o mestre de Bruce Lee. Os três filmes lançados a respeito do mestre de Wing Chun provam isso, com semi-biografias que narram entre muitas lutas, a essência e filosofia do Kung Fu, e o grande homem que foi o protagonista. Os três longas são chineses, tendo no elenco atores que fogem um pouco da cena Hollywoodiana (se comparado a Jet Li ou Jackie Chan) e que mostram por sua vez, um talento nítido, como Donnie Yen (Hero, e Blade II) que interpreta Mestre Ip em dois filmes. O terceiro e último lançado, trata do começo em que Ip começou a treinar o estilo Wing Chun, e por isso, é interpretado pelo jovem Dennis To, que também se mostra um ótimo ator. É a prova de que a China não deixa nada a desejar em se tratando de cinema. Bem verdade que os filmes é uma “estapeação” só, mas além da ausência (não completa) do plástico exagerado de pessoas voando (Como em O Clã das Adagas Voadoras), você vê puro Kung Fu, e também roteiros que mesmo não se desvencilhando completamente dos clichês, conseguem te prender e fornecer um pouco de tudo: Aventura, Comédia (em doses sutis), Drama, Romance e claro: muita ação. E alto lá você que não tem muita paciência pra ver cenas de luta: definitivamente você não irá gostar destes filmes que em todos trazem alto teor de Kung Fu em 80% das cenas.  Os 20% restantes estão divididos entre outras lutas, e outros detalhes que permeiam a trama. Eu, que adoro assistir uma “estapeação bem feita” (e claro, falo assim de uma forma chula e leiga, porque vai muito além de um termo tão banal quanto este)  não tive problemas com isso…

Resumão: Yip Man nasceu em Foshan, na China em 1893. Após a morte de seu primeiro mestre, foi para Hong Kong continuar seus estudos e voltou depois para sua terra natal, onde aprimorou ainda mais seu conhecimento e se casou, tendo um menininho. Vivia muito bem de vida, até a chegada dos japoneses com a Segunda Guerra Mundial que o fez perder seu dinheiro e passar a ter uma vida muito mais simples. Apesar da Roda da Fortuna ter girado para o mestre, Yip possuía uma humildade contrastante, nunca subestimando seus adversários (exceto em sua juventude, quando ainda estava aprendendo). Após uma luta difícil com um dos generais japoneses, Yip voltou a Hong Kong, onde finalmente começou a ensinar Kung Fu e ficou por lá até sua morte em 1972, fato que não chega a ser mostrado nos filmes, tendo finalizado a história da trilogia, com uma vitória contra um lutador ocidental que chegou na China apavorando e desrespeitando o estilo de luta dos chineses.

Aqui, vou contar os filmes na ordem de lançamento invés da ordem dos fatos (pra dar uma variada né?). Ah, aliás… dessa vez fico devendo as quotes de cada filme ok? Quando eu aprender Mandarim ou Cantonês eu coloco e aviso vocês  =)

O Grande Mestre  (2008)

Dirigido por Wilson Yip, o filme traz qualidade tanto em peças essenciais para um bom filme quanto em categorias técnicas como uma boa fotografia e figurino. Ele traz uma composição visual que vai do topo ao fundo do poço representando como que mestre Yip vivia numa linda mansão e acabou indo morar num cortiço devido a Segunda Guerra e a invasão dos japoneses. A trama aqui está em cima disto, primeiro com outros praticantes de Kung Fu desafiando Yip,  se “rendendo” e prestando respeito as habilidades deste, e depois, se unindo de certa forma, quando os japoneses tomaram conta de Foshan. Aí entra em cena o pessoal do Karate, fazendo duelos entre o pessoal do Kung Fu e se caso estes ganhassem, teriam em troca um saco de arroz. Muitos aceitaram a proposta apesar da humilhação pois a China passava fome. Alguns morriam, evidente. O filme tem uma violência controlada e vai aumentando a dose conforme nossa vontade trilhada pelo roteiro bem estruturado de Edmond Wong. Donnie Yen, que interpreta Yip reproduz a calma, a paciência e sabedoria de um grande Sifu. Engraçado que aqui a China faz aquele drama que todo Norte Americano faz quando relata um pouco da história da guerra: puxa sardinha pra eles, fazem um drama de coitados e uma imagem de que o oponente (no caso os japoneses) são os malvados da vez. Historiadores, me contem se o filme é bastante claro na adaptação a realidade? Outra coisa delicada é esse “duelo sutil” entre dois estilos de luta diferentes. Yip Man foi um homem sábio e humilde, mas teria o diretor do filme as mesmas características quando apresenta uma máscara duvidosa que botam lutadores de kung fu como os grandes ganhadores contra os lutadores de karate? Coisa polêmica essa. E na realidade, irrelevante se todos pudessem respeitar todos os estilos e admitir que todos tem sua própria garra, sabedoria e filosofia que é preciso respeitar…

Mas, voltemos ao foco, produção?

O Grande Mestre 2 (2010)

Do mesmo diretor, conta como mestre Yip começou a viver em Hong Kong após o episódio trágico do final da Guerra, e de sua batalha com o general japonês. Mostra como ele começou a dar aulas de Wing Chun a fim de ganhar dinheiro para pagar o aluguel de sua casa, e também de propagar o estilo, além de conseguir o respeito dentre os demais mestres que ensinavam Kung Fu em Hong Kong. Um deles é Mestre Hong (Sammo Hung Kam-Bo) que apesar das desavenças com Mestre Yin, seus conceitos mudam quando vê a personalidade e a compaixão deste homem. No fim, ambos se unem alimentando desavenças contra um inimigo maior: um lutador de Boxe, Twister (Darren Shahlavi) que desafia os mestres e insulta o Kung Fu, como uma arte de dancinha e não de luta. Tanto este filme quanto o anterior consegue mostrar um pouco da filosofia do Kung Fu, sintetizadas por Mestre Yin neste segundo quando ele dá um breve discurso aos ocidentais falando sobre respeitarmos uns aos outros sem se importar quem é ou não o mais forte. Ah! E neste a gente sente um gostinho bom, com a breve aparição de um menininho bravo chamado Bruce Lee que pede aulas para o Mestre. Um charme a mais pro filme, sem dúvida.

Yip Man – Nasce a Lenda (2010)

Desconfio que na China deve faltar bons atores, e todos eles foram parar nos filmes sobre Yip Man. Afinal, Sammo Hung Kam-Bo que interpreta o Mestre Hong no segundo filme, está aqui de volta, porém agora interpretando o Mestre Chan Wah-shun, Sifu de Yip Man quando este ainda pequeno vai parar lá nos treinos de Wing Chun. Apesar de ser o último filme feito, ele narra o começo de tudo. Yip Man, por mostrar duas fases de sua vida (ainda menino e depois adolescente) é representado primeiro e rapidamente por Yu-Hang To e depois pelo talentoso Dennis To, quase tão bom quanto Donnie Yen. O interessante aqui é que Dennis To consegue representar dando um sentido único e um contexto forte para a figura de Yip Man mantendo detalhes de suas características e personalidade como o semblante calmo e o controle de sua concentração mesmo em horas de raiva, como Donnie foi capaz de fazer. Entretanto, o filme, com direção agora de Herman Yau, é o mais fraco dos três, não prendendo muito, mesmo com uma trama relativamente mais intrigante em volta de assassinatos misteriosos e até mesmo do início de seu romance com sua futura esposa.  De resto, as mesmas cenas de ação e luta estão lá. Eu recomendo assistirem num intervalo de 1 hra cada um. Até para quem pratica Kung Fu, dá uma certa canseira de ver tanta poeirinha saltando da sapatilha com os chutes e socos intensivos…